quarta-feira, 6 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Li e gostei
A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
Pra corroborar Lya Luft em seu sistema de perder/ganhar:
Com as perdas só há um jeito:
perdê-las.
Com os ganhos,
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.
E Sophia em Portugal, a quem as mãos nunca estão vazias:
apesar das ruínas e da morte,
onde sempre acabou cada ilusão,
a força dos meus sonhos é tão forte,
que de tudo renasce exaltação
e nunca as minhas mãos ficam vazias
ou ainda Drummond, voz masculina e brasileira, de quem sabe o peso da memória:
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu gostava de me entregar e ele gostava de me receber.
Mas, atordoada, pensando uma coisa, sentindo outra, acabei fazendo nada. Acabei paralisada. Como numa fotografia, capturada em movimento. Borrada. Meu orgulho falou alto, gritou,para que não ouvissem que uma voz mais doce e mansa desejava ser ouvida, e, mais do que isso, obedecida.
"e te peço,
me perdoa,
me desculpa que eu não fui sua namorada
pois fiquei atordoada [de amor]
faltou o ar
faltou o ar..."
Assinado eu - Tiê