Meus dezembros vão se completando. Vai dezembro vem dezembro e, como tradição, tenho a repetição de cenas dramáticas.
Não falo de nascimento de cristo na manjedoura, mas sim dos atos disparatados de fim de ano resultados do medo de não ter vivido o bastante que fosse. O intuito é fazer tudo que não fiz o ano inteiro em trinta e um dias dramáticos, pois que se encena o fim da vida no fim do ano.
Perdida em sítios desesperados, tudo que é errado fiz em dias claros de dezembro bem acordada, e, por mais que parecessem sonhos, nunca me escondi em notívagas desculpas insones. Minhas noites, guardo-as pro sono de Cleópatra, sono dos injustos e injustiçados. Os que fizeram dos dias rodas vivas de não viver, fizeram do ano um amontoado de dias sem marcação no calendário, transplantaram morte em vida, abandonaram o que nem começaram.
E há o balanço, a comparação, o que fiz de melhor, ou pior, ou o que não muda nunca...
Sigo nos dezembros, quebrando o coração, ou entregando o corpo sem ele, última tentativa de salvá-lo.
lista de desejos para 2011:
“Quero pão novo
Pouca conversa
Uma casa aberta
Um ótimo vinho
Flores do campo
Banho quentinho
Uma sobremesa
Um atrevimento
Dedicação
Muito carinho
Derretimentos
Pra compensar”
Pouca conversa
Uma casa aberta
Um ótimo vinho
Flores do campo
Banho quentinho
Uma sobremesa
Um atrevimento
Dedicação
Muito carinho
Derretimentos
Pra compensar”
(trecho da canção Moro longe, de Vanessa da mata)




