domingo, 2 de agosto de 2009

Depois de mim, o dilúvio... frase de Luís XV.

Há um tempo atrás li um romance de Susana Flag [heterônimo de Nelson Rodrigues]; nada mais do que uma história autobiográfica. Uma menina que passava por problemas familiares e que de repente perdia sua condição de menina... passava a ser a Mulher Antediluviana. Na época, me tocou muito esse adjetivo...

Susana é uma mulher rodriguiana legítima!!! Daquelas que personificam a fragilidade de ser Mulher, mas que escondem dentro em si todas as outras significações de ser Mulher. Uma mulher muito bela, capaz de conquistar todos os homens. Nada mais do que uma Mulherzinha!!! Daí conheci o sentido de ser Mulherzinha e seus benefícios... mas ela tinha uma força, uma coisa que a tornava a Antediluviana... a mulher antes do dilúvio, enquanto as coisas apenas parecem calmas... no tempo em que li tal livro não conhecia a frase de Luis XV nem passava por transformações bruscas.

Depois de mim, o dilúvio... eufemismo para “Vá tudo pro inferno!”. Queria poder dizer um dos dois...

Já tenho 20 anos. Sei que é pouco, para muitos é pouco; mas para mim não tem sido pouco! Primeiro, reluto em aceitar que saí da adolescência, que no inglês não haverá mais teen no fim da minha idade... reluto em deixar a menina que fui partir. Não é medo de envelhecer [acho que não] é medo de ser grande, de ser finalmente mulher, ter responsabilidades... e medo das perdas também...

Perdi a candura, a doçura, o frescor, a alegria, a ternura, a docilidade do olhar, a felicidade sem motivo aparente, o amor platônico... cresci. Passaram-se dias, meses, anos, cada um como um verniz sobre mim. O primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou...

Não me sinto mais do que uma envernizada... camadas e camadas de verniz cobrem a menina que fui... e não se pode remover o verniz dos dias, meses e anos passados, eles seguem comigo. Tudo em mim é apenas uma pátina, uma colagem em baixo do verniz... o verniz segura tudo.

Não sou mais do que uma envernizada. E a menina se perdeu por trás do verniz...

Agora enfrento uma difícil tarefa: admitir finalmente que não sou mais uma menina, que sou uma mulher e ponto final! Não tem sido nada fácil encarar isso de frente. Espero eu o blog me ajude então... e Susana Flag e Luís XV também!

2 comentários:

  1. Não subestime jamais sua capacidade, o blog é apenas um aperitivo dos frutos que podem sair da imaginação dessa menina Marcela que não quer crescer, mas que tem por obrigação seguir seu caminho sendo devorada por Kronos assim como todos nós meros mortais.

    Kisses gatinha! Tens talento!

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